Arquivo da categoria: Raul Seixas

VOZES CALADAS

Podemos dizer que a ditadura na América do Sul, no período de guerra fria, foi um dos momentos mais sombrios das últimas décadas. Aqui no Brasil não foi diferente. Pessoas torturadas, sequestradas e assassinadas… Mas você acha que a ditadura começou em 1964?

A crise já vinha desde 1929, com a queda da bolsa de valores de Nova York tudo veio à tona, a inflação, a queda da economia do café, as crises da politica café com leite, que resultou em um governo “provisório” do gaúcho nacionalista Getúlio Vargas. Com reformas em seu governo “provisório”, Vargas ficou no poder durante 15 anos, com isso veio o incentivo ao rádio, diversas leis de censura às mídias (como o Departamento de Imprensa e Propaganda – o DIP -), direitos a trabalhadores, e leis um tanto quanto confusas, como a lei de destombamento. O presidente renunciou em 1945, e depois voltou anos mais tarde. Em 1951 o presidente voltou ao seu cargo em eleições diretas, e 3 anos mais tarde, se suicidou (ou foi morto?). [Confira aqui, a carta dele]

Não vem ao caso. O que importa, é o presidente que chegou em 1961, João Goulart e suas ideias socialistas em uma guerra fria.  A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale ressaltar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.

Então, no dia 1 de Abril de 1964, João Goulart foi deposto e teve de fugir para o RS, e, em seguida, para o Uruguai. Desta maneira, o Chefe Maior do Exército, o General Humberto Castelo Branco, tornou-se presidente do Brasil. Com o auxilio dos Estados Unidos da América, e da operação Brother Sam, o país foi tomado por armas militares que chegaram direto do bloco capitalista (aviões, soldados, jipes, navios).

A ditadura trouxe consigo, a censura que Vargas pregou em seu primeiro mandato, o DIP. Músicos que protestavam contra o regime militar e a violência imposta por eles. Quem ousava dar de frente contra a ditadura recebia o “devido” castigo, eram torturados. Músicos perdiam suas ferramentas de trabalho, compositores levavam aquela surra que ninguém consegue esquecer, alguns tinham até a família caçada.

Muitos morreram ou sumiram com as perseguições, isso é fato. E Raul Seixas, na música Mosca na Sopa, cita de forma metafórica que, por mais que os militares matem, a espécie continua.

“…Pois você mata uma, e vem outra em seu lugar”.

Foi cruel, quem mais se manifestava pelo povo se reprimiu pelo medo, as músicas acabaram sendo cantadas por vozes caladas. Os militares destruíram duas gerações, em 30 e 60, eles “pintaram para lhe abusar”, com seu instinto primitivo de destruição em massa financiado por um país tão fraco mentalmente, que, mesmo fazendo diversos atentados terroristas diariamente contra o mundo, diz que o pior deles foi a queda de duas torres que eles mesmo causaram apenas para ter um motivo para investir em armamentos. (inocentes). Há muitos que vão as ruas pedindo uma nova intervenção militar, e eles são tratados com respeito. Agora, muitos também vão às ruas pedirem respeito, e são tratados como se estivessem em uma ditadura.


FOTOS DA VISITA TÉCNICA

Grupo
Grupo
Memorial da Resistência Pinacoteca
Memorial da Resistência
Pinacoteca
Controle, Repressão, Resistencia
Controle, Repressão, Resistência
Um dos quartos onde a
Um dos quartos onde a “oposição a ditadura” ficava.

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Meus amores.
Meus amores.
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Pegaram o meu bebê, para me ameaçar!

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Vanderley!
Vanderley!
Guilherme!
Guilherme!
O Cravo Vermelho. que foi distribuído para todas as celas.
O Cravo Vermelho.
que foi distribuído para todas as celas.

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MUSICA DO DIA

Olá, monstrinhos!

Hoje o música do dia será um pouco diferente, pois terá referência ao post de amanhã (17). Se trata sobre a era de ditadura e de um mito chamado Raul Seixas.


Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar
Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar
E não adianta vir me dedetizar
Pois nem o DDT pode assim me exterminar
Porque você mata uma e vem outra em meu lugar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Atenção, eu sou a mosca
A grande mosca
A mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto
A zum-zum-zumbizar
Observando e abusando
Olha do outro lado agora
Eu tô sempre junto de você
Água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura
Quem, quem é?
A mosca, meu irmão
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
E não adianta vir me dedetizar
Pois nem o DDT pode assim me exterminar
Porque você mata uma e vem outra em meu lugar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar
Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar
Mas eu sou a mosca que pousou em sua sopa…

CANÇÃO: MOSCA NA SOPA

CANTOR: RAUL SEIXAS

COMPOSIÇÃO: RAUL SEIXAS


VÍDEO

https://www.youtube.com/watch?v=fi2vh_uP3Rk


ANÁLISE

  A musica faz analogia ao período da ditadura, pois a mosca é o povo que estava sofrendo. Já a sopa são os militares. Quando ele diz

Eu sou a mosca que pousou na sua sopa, eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar.

Ele quer dizer que, por mais que os militares queiram repreende-los, eles continuarão lá para tentar mudar o quadro politico da época.

E no trecho

E não adianta vir me dedetizar
Pois nem o DDT pode assim me exterminar
Porque você mata uma e vem outra em meu lugar.

Ele quis dizer que por mais ele tente matar o povo, (o que acontecia muito na época) sempre aparecerá mais gente para continuar a luta em busca de mudanças.

MÚSICA DO DIA

– Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que ele me falou.:

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim.

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra A tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão

Eu!
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Eu sou o início
O fim e o meio
Eu sou o início
O fim e o meio

CANÇÃO: GITA

CANTOR: RAUL SEIXAS

COMPOSIÇÃO: PAULO COELHO E RAUL SEIXAS


VÍDEO

https://www.youtube.com/watch?v=yMq6gcbsZKM


ANÁLISE

Raul traduziu em poesia a onipresença* de Deus em toda as coisas.

Onipresença = Estar em todo lugar a todo instante

Não podemos entender o que é Deus, pois nos falta conhecimento. Mas podemos ter idéias exatas sobre como ele NÃO PODE ser.

Deus NÃO É um senhor de barba branca que irá julgar seus pecados e caridades feitas durante sua vida na Terra.

Deus é o criador e pela sua sabedoria infinita ele criou leis irrevogáveis (leis naturais, lei da existência, lei da causa e efeito), que nos dão a possibilidade de entendermos que todos nós somos irmãos nessa e em outras vidas. Aquele que infringir essas regras estará, por consequência natural, atrasando seu próprio desenvolvimento e aumentando suas dores. É como o aluno que repete de ano e precisa refazer a matéria. A dor é uma lei natural que serve apenas para nos ensinar. Ela machuca mas nos é benéfica. Se não sentíssemos dor nós morreríamos após se machucar gravemente e não percebermos isto. Machucaríamos uns aos outros com muito mais frequência também. Podemos dizer então que Deus está na dor, pois ele criou essa lei natural que nos protege.

Deus é infinito, onipresente, onipotente, soberanamente justo e bom. É misericórdia, é paz, é amor.

Em sonho, Deus responde para Raul por que o homem se queixa pelo fato de Deus não se fazer presente diante das injustiças do dia-a-dia.

Deus criou as leis da natureza. A natureza é constituído de energia. A energia é a matéria do pensamento. Nossos pensamentos são o resultado de nossa própria personalidade. Energia nunca se perde, apenas se transforma.

Deus –> Natureza –> Energia –> Pensamento –> Personalidade

Nossa personalidade baseada em energia nada mais é do que a alma, que resiste após a morte corporal. Baseada em leis naturais, essa alma se prende novamente a uma nova carne para continuar o processo de aperfeiçoamento.