CASA ROSA, SEU FUTURO É INCERTO!

Audiência pública encaminha tombamento da ‘Casa Rosa’

Em um evento histórico na Câmara Municipal, a Prefeitura de Jundiaí e o Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural (Compac) encaminharam na noite dessa quarta-feira (6/5/15) o processo de tombamento da “Casa Rosa”, como é conhecido o casarão remanescente do estilo chamado eclético do início do século 20 localizado no trecho da rua Barão de Jundiaí que envolve referências como o antigo Grupo Escolar Siqueira de Moraes, atual Pinacoteca e o Teatro Polytheama, ambos oriundos do mesmo período. Divulgado publicamente, o evento praticamente encheu o plenário e teve apenas uma manifestação contrária à proposta. O processo 8.411, de 2013, foi apresentado pela presidente do Compac, Maria Angélica Ribeiro, e a cerimônia foi encaminhada pelo diretor de patrimônio da Secretaria de Cultura, Donizete Pinto. Na mesa estiveram presentes convidados como os secretários de Cultura, Tércio Marinho, e de Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Camara Sutti, além do vereador integrante da Comissão de Educação e Cultura, Rafael Purgato.

Além de ser uma função cerebral complexa, que nos permite identificar sons, sensações e aromas, a memória tem ainda um lado coletivo em que os bens culturais permitem refletir sobre nossa própria historicidade plural como povo.

afirmou o parecerista Pier Paolo Bertuzzi Pizzolato, professor de arquitetura da Unip. Outras intervenções marcaram o evento. O arquiteto e historiador Roberto Franco Bueno analisou o imóvel como parte do processo de industrialização que mudou a então vila de Jundiaí entre 1870 e 1950, com registros fotográficos já de 1913. “O ecletismo é marcado pelos especialistas com sua testada na frente do lote e a varanda lateral, exatamente desse modo. E entre os mestres construtores dessa época na cidade está Antonio Mila, autor ou orientador da obra”, afirmou. Fundos de apoio O processo de tombamento segue agora com um prazo de 60 dias para o possível recurso do proprietário do imóvel. Embora tenha havido algumas pessoas confundindo tombamento com desapropriação, a intervenção do também arquiteto Eduardo Carlos Pereira mostrou que esse não é o caso. “Uma coisa não tem a ver com a outra”, explicou. Com o tombamento decretado, o proprietário pode requerer verbas gratuitas para a obra de restauração junto a mecanismos como a Lei Rouanet, federal, ou o Programa de Ação Cultural (Proac), estadual. O evento foi acompanhado também pelos vereadores José Carlos Dias, Leandro Palmarini, Paulo Malerba e Marilena Negro. Apenas uma intervenção na tribuna defendeu a demolição: fundos podem dar reforma gratuita Mobilização A audiência pública foi acompanhada também por estudantes e professores dos cursos de arquitetura da Unip, de turismo do Senac Jundiaí e outros, como a vizinha escola estadual Antenor Soares Gandra. Um dos participantes das passeatas contra a demolição da Casa Rosa, Élcio Lopes, comparou a perda pura de imóveis históricos aos idosos que “levam uma biblioteca embora consigo” quando deixam de existir. E chamou a oportunidade de a sociedade manter uma referência histórica como uma “bênção” diante da destruição desinformada. Outros interventores na tribuna, também voluntários do setor de patrimônio, citaram outras referências. Fábio Garcia lembrou o risco dos “não lugares”, como Marc Augé chama aqueles pontos iguais em todas as cidades, como shopping centers, aeroportos, fast foods ou rodoviárias. E Felipe Andrade da Silva apontou a importância de lembrar marcos do efeito urbano da história operária da cidade como uma escolha política de todos. A professora Cíntia Vanessa Gomes também lembrou dos atos pelo casarão e resumiu tudo em um “viva” para o imóvel. O empresário Roberto Rezende fez a única intervenção contra o processo, tentando justificar sua posição pelo abandono do imóvel nas últimas décadas, inclusive pelo poder público. A fotógrafa Regina Kalman, autora do pedido de proteção em 2008, lembrou que mesmo em países atingidos por guerras, o patrimônio coletivo é alvo de preocupação. “Minha família é da Croácia e sabemos o que é dificuldade para manter a memória histórica”, afirmou. Diálogo O secretário Tércio Marinho lembrou que tem mantido estudos com o proprietário do imóvel sobre a importância do processo e a secretária Daniela da Camara Sutti citou os diversos esforços que estão sendo realizados pela Prefeitura de Jundiaí para a valorização do centro histórico. E o vereador Rafael Purgato destacou que

uma cidade sem história é uma cidade sem identidade.

Também estiveram presentes outros integrantes de governo como os secretários: de Gestão de Pessoas,Mary Fornari Marinho; de Negócios Jurídicos, Edison Rocha; o diretor presidente da Escola de Governo e Gestão, Marcelo Lo Mônaco), e outros.


Segue fotos da audiência pública do dia 6 de maio de 2015.

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